SindNews 27/03/2026

Jornada 6×1 – incertezas e dúvidas

Julio Cesar Machado – Pres. do Sindicato dos Bancários de Sorocaba

Ainda há trabalhadores defendendo um modelo que prejudica a qualidade de vida. Em um cenário global marcado pelo avanço da tecnologia e da inteligência artificial, países desenvolvidos discutem redução de jornada e bem-estar. No Brasil, porém, ainda prevalece a lógica de que o trabalhador deve suportar qualquer condição.

A expansão do chamado “empreendedorismo” e da terceirização tem, em muitos casos, resultado em precarização, com redução de direitos e renda. Isso gera distorções, como críticas à CLT e a trabalhadores com direitos garantidos, além de discursos que ignoram a dificuldade real de sobreviver com baixos salários.

A jornada 6×1 vai na contramão da qualidade de vida. Modelos como o 5×2 — e propostas mais recentes, como 4×3 — buscam equilibrar trabalho e vida pessoal, reduzir o adoecimento mental, melhorar a mobilidade urbana e ampliar a geração de empregos.

Na categoria bancária, que já possui uma das convenções coletivas mais estruturadas, é contraditório defender retrocessos. A redução da jornada é uma pauta que visa saúde, produtividade e dignidade.

O debate precisa considerar o interesse coletivo. A manutenção de jornadas exaustivas beneficia poucos e impacta diretamente a maioria da população trabalhadora.

Mais do que uma escolha individual, trata-se de um modelo de sociedade e de distribuição de oportunidades.

Gostou? Mande para os colegas do seu banco.